segunda-feira, 20 de abril de 2009

Música no culto ou culto à música? (3)

Já fui acusado por alguns maldizentes de plantão de ser contra o grupo tal ou o cantor tal. Mas tenho levado à sério o que está escrito em 1 Tessalonicenses 5.21: “Examinai tudo; retende o bem”.

Reconheço que, em nossos dias, há poucos hinos que de fato servem para louvar a Deus, mas eles existem.
Nesta terceira parte da série sobre a música no culto coletivo a Deus responderei a mais duas perguntas. A minha intenção não é falar contra ou favor de alguém ou de algum grupo, e sim examinar à luz das Escrituras a música na igreja. Nesse caso, se eu mencionar algum hino ou canção (há diferença, sim, entre ambos!), são apenas exemplos que nos ajudam a entender a parte teórica até aqui apresentada.

7 - Qual é a importância do louvor?

Como já vimos o louvor a Deus permanece para sempre. Temos inúmeras razões para louvar o Senhor. Primeiro, fomos criados, formados e feitos para a sua glória (Is 43.7). Segundo, é bom louvá-lo (Sl 92.1). Terceiro, Ele — e só Ele — é digno de ser louvado (Sl 48.1; Ap 4.11). E mais: Ele habita no meio dos louvores (Sl 22.3).
Por isso, quando de fato louvamos a Deus, sentimos alegria no espírito. O verdadeiro louvor chega ao Céu, de onde recebemos respostas para as nossas necessidades (Jr 29.13; 33.3). Pronunciar palavras de louvor a Deus é algo tão maravilhoso, que o salmista fazia isso sete vezes durante o dia (Sl 119.164).

8 - Qual é a verdadeira música de louvor?

Nos dias do rei Ezequias, houve um grande avivamento (2 Cr 29). Ele começou a reinar em Judá aos 25 anos e fez o que era reto aos olhos do Senhor: abriu as portas da casa de Deus, ajuntou os sacerdotes e levitas, ordenou que todos se santificassem, celebrou a páscoa etc. (vv. 2-20). No seu reinado, a música de louvor tinha as seguintes características:
1) Ordenada pelo Senhor: “... este mandado veio do SENHOR, por mão de seus profetas” (v.25). Deus é o maior interessado no verdadeiro louvor, acompanhado de uma música que o agrade.
2) Executada com instrumentos consagrados a Deus: “E pôs levitas na Casa do SENHOR com címbalos, com alaúdes e com harpas, conforme o mandado de Davi e de Gade...” (v.25). Hoje muitos executam a sua música dentro e fora da casa de Deus, e da mesma maneira, como se o seu trabalho fosse meramente artístico. Porém, exige-se uma vida de santificação dos músicos que louvam a Jesus.
3) Tudo feito com ordem: “Estavam, pois, os levitas em pé com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes, com as trombetas” (v.26). Nosso Deus é um Deus de ordem (1 Co 14.26,40; Gn 1; Nm 2). Cultos (cultos?) há em que não vemos nenhuma ordem no momento do louvor (louvor?).
4) Músicos submissos ao líder: “E deu ordem Ezequias que oferecessem o holocausto sobre o altar, e, ao tempo que começou o holocausto, começou também o canto ao SENHOR...” (v.27). Geralmente, os músicos gostam de agir por conta própria; sentem-se superiores... Às vezes, dizem: “O pastor nada entende de música e quer nos dizer como tocar”. Mas aqueles músicos eram sujeitos ao rei Ezequias. Que belo exemplo!
5) Músicos e cantores preparados (v.27). Naqueles dias havia cantores e músicos. Não há menção a dançarinos ou coreógrafos. Quando o rei deu ordem, os tais começaram a tocar e a cantar, pois estavam devidamente preparados para isso. Requer-se, pois, de quem atua no glorioso ministério do louvor a Deus: fidelidade a Deus constante, dedicação, persistência, pontualidade, etc.
6) Sem inovações: “Então, o rei Ezequias e os maiorais disseram aos levitas que louvassem ao SENHOR com as palavras de Davi e de Asafe...” (v.30). Os músicos e cantores não exibiram a sua própria musicalidade... Não! Eles seguiram ao que foi deixado por Davi e Asafe como herança. Por que os compositores de hoje não querem mais fazer hinos que adorem de fato a Deus, preferindo fazer canções que agradam pessoas, como se a música hoje fosse um produto para atender a preferências pessoais? Temos de perguntar pelas veredas antigas (Jr 6.16).
7) Não houve nenhuma “adoração extravagante”. A adoração foi reverente! E o resultado foi a manifestação de Deus. Houve muita alegria: “E toda a congregação se prostrou quando cantavam o canto... o rei e todos quantos com ele se acharam se prostraram e adoraram. (...) E o louvaram com alegria, e se inclinaram, e adoraram” (vv. 28-30). Aleluia!
Diante do exposto, Deus aceita mesmo o que chamam hoje de "louvorzão"? Podemos mesmo acrecentar o sufixo "zão" a um termo tão santo, tão sacro, tão reservado, posto que, nesse caso, refere-se ao Senhor Todo-poderoso? Podemos mesmo aplicar o vulgarizante termo "louvorzão" a um culto de adoração e louvor ao Senhor Jesus Cristo? Ou o termo tem sido usado tão-somente para se ter um aval tácito para todas as aberrações que acontecem em cultos (cultos?) em que se faz tudo o que a carne pede?

Com temor e tremor,

Ciro Sanches Zibordi

1 comentários:

lucas disse...

quero o email do pr elias
por favor